20 março 2017

16 março 2017

Um País de Tolos

Assistam a este pequeno vídeo:


Há dois pontos que quero comentar.

Primeiro: O acumular de riquezas é algo próprio do capitalismo. Em países sérios, não são impostas dificuldades de nenhuma espécie, e o próprio Estado as produz para serem adquiridas pela população. Por isto, é muito fácil e barato comprar bullions em ouro ou prata, seja pra coleção, seja pra investimento, ou qualquer outro uso, em países do assim chamado “Primeiro Mundo”.

Quando será que alguém aqui no Brasil conseguiria comprar 480 onças (quase 14 kilos!) de prata, de uma só vez? E ainda por cima, ter a mercadoria corretamente entregue, como se estivesse comprando um objeto banal qualquer? Mesmo tendo o dinheiro, mesmo pagando impostos absurdos, acima dos 100% do valor do produto, provavelmente a mercadoria não chegaria ao destinatário.

No Brasil, um dos países com o subsolo mais rico em minerais do mundo, o máximo produzido pelo Estado, em Prata e Ouro, são moedas de coleção. Para as Pratas, são peças que não tem o padrão numismático internacional (Onça, ou seja 31,1 gramas), possuem 28 gramas (e este é o maior tamanho/peso), e custam 4x mais caro que o valor do metal a peso. As peças em Ouro então, são apenas 4,4 gramas de ouro .900 e igualmente custando mais de 4x seu valor a peso. Em países sérios, o ágio do governo é de cerca de 10% do valor a peso.

Pior: O Brasil é praticamente o único produtor mundial de Nióbio. Sabe quantas moedas de coleção temos cunhadas neste metal? ZERO. A Áustria, que não possui Nióbio em seu subsolo, tem muitas, e todas elas de Nióbio Brasileiro, proveniente da mina de Araxá-MG.

Mais: Recentemente, li o relato incrivelmente absurdo de um amigo que importou cápsulas (acrílicas, para moedas) e está tendo sua encomenda retida pela Receita Federal para averiguação da Agência Nacional de... Vigilância Sanitária (ANVISA)! Como se fossem cápsulas de remédios. E claro, a encomenda não será entregue. Terá sorte se for devolvida ao remetente. O valor gasto no frete internacional foi perdido, o comprador já passou raiva e se assim continuar, a empresa do exterior não venderá mais para compradores cujo destino é o Brasil, como JÁ OCORRE em vários locais.

Existe uma grande diferença na mentalidade das pessoas dos países do “Primeiro Mundo” e os do “Terceiro Mundo”, e uma delas é que, no Primeiro Mundo, as pessoas trabalham para gerar, produzir riqueza para sua nação e, claro, para si próprios. Todos tem de prosperar, assim todos ganham. Além do mais, não aceitam que modifiquem este estado das coisas. No Terceiro Mundo, trabalham apenas para se ter o suficiente para sobreviver (comer e pagar as contas), e ainda existe uma legião de estúpidos, seguidores de ideologias imbecilizantes, que pensam que acumular capital e riqueza é um crime hediondo, que se deve “socializar” o pouco de bens que alguém consegue ter trabalhando, com aqueles que não trabalham. E aí vemos “pérolas” do tipo “Esse cara sozinho adquirindo 13 kilos de prata pra guardar, enquanto milhões de pessoas passam fome na África…”. Oras, a pessoa trabalhou, prosperou, e ela faz do seu dinheiro o que quiser. É assim que funciona em países sérios e livres. Não gostou? Comece então ajudando aos famintos e necessitados, doando O SEU computador, carro e IPhone.

 

Segundo: Observem que os bullions de coleção estão em estojos acondicionados em saquinhos plásticos grossos, do tipo «ziploc». Motivo: Óbvio, otimizar a conservação da embalagem, que é de papel. Moedas que estão fora de suas embalagens originais tem seu valor reduzido em relação aos catálogos, isso funciona em todo o mundo numismático, MAS… nem tanto no Brasil.  

Quando residi nos Estados Unidos, ainda não era numismata, mas era filatelista e tinha contato com alguns numismatas por lá. Sempre vi as embalagens de "moedas de coleção" (são essas que vem “de fábrica” em estojos, cartelas, blisters, folders, etc e são cunhadas especialmente para serem colecionadas...) armazenadas nas lojas e também nas coleções dos numismatas, sempre embaladas previamente com esse «ziploc». Embalagens com mínimos defeitos, já sofriam alguma desvalorização no preço.

Já aqui no Brasil é um desastre. Há uma cultura da porcaria, do malfeito, da sujeira, arraigada no seio da sociedade, e não há o mínimo senso de conservação das coisas. Moedas de coleção lançadas há pouco tempo estão quase sempre com a embalagem de papel amassada, arranhada, suja, amarelada, encardida, rasgada, mofada e as vezes até mesmo ausente, porque os próprios numismatas não as acondicionam corretamente. Como é difícil por aqui comprar esse tipo de peça com sua embalagem original intacta! Que tal começarmos a pensar nisso, e cada um fazer a sua parte?

E ah: Pra aqueles que pensam “Poxa, você não pode falar mal do Brasil, cara…”. Ou então “Brasil Ame-o ou Deixe-o”. Uma banana daquele tamanho pra você, ok? Eu falo e penso como eu quiser. Se você está satisfeito com a situação atual deste país, se sua mentalidade é a de um silvícola conformado com as coisas, eu não estou e não possuo tal mentalidade. Quero o bem feito aqui, quero o Primeiro Mundo aqui, quero ter o DIREITO INALIENÁVEL de poder comprar 480 onças de Prata sem ter que passar a raiva da Casa Numismática me enviar as peças em embalagens estragadas, sem o Papai-Estado para cobrar 100% de imposto, sem a Receita Federal e os Correios roubarem a minha mercadoria.

11 março 2017

Moeda 25 Centavos 1995 «Nula»

BREVE DESCRIÇÃO: Trata-se de uma moeda de 25 Centavos, sempre com data 1995, e um carimbo, contramarca ou punção circular com a inscrição «NULA» no anverso e no reverso, cobrindo todo o design da moeda. Este tipo de peça é praticamente desconhecido nos meios numismáticos nacionais e não sabemos de nenhuma publicação à respeito.

 

Primeiro, vou falar sobre o que ocorre no exterior:

Este tipo de anulação ocorre nas Casas da Moeda de alguns países, tal como na U.S. Mint dos Estados Unidos, quando as moedas são liberadas da máquina de cunhagem e são reprovadas pelo controle de qualidade, por conter algum erro ou defeito de fabricação que a torna inadequada para circulação e que a possa tornar valiosa no mercado numismático, ou que está sendo recolhida (retirada de circulação). O objetivo de anular desta forma a peça, é de reutilizar o material, fundindo-o novamente na siderúrgica e assim o reciclando.

Nos Estados Unidos, as peças anuladas ou canceladas são transportadas através de rolos de esmagamento, que obliteram o design da moeda e transmitem um padrão ondulado à peça, o qual os numismatas e as Sociedades Numismáticas locais passaram a denominar oficialmente como «Cancelamento Waffle» (WAFFLED COINS). Recebem esse nome devido ao aspecto final ficar muito parecido com a iguaria culinária. O mesmo processo tem sido utilizado pela Espanha, África do Sul, Malásia, Holanda, Bélgica, Alemanha e muitos outros países, há muitos anos.

 

 

Moedas destruídas desta maneira possuem vários nomes: Desmonetizadas, Descunhadas, Canceladas, Anuladas, etc. Os padrões deixados pelos rolos de esmagamento podem ou não se assemelhar a «waffles».Seguem alguns exemplos:

 

ESTADOS UNIDOS: Quarter Dollar «Alabama» com cancelamento Waffle

 


ESTADOS UNIDOS: Quarter Dollar «Utah» com cancelamento Waffle

 

ESTADOS UNIDOS: Aspecto geral do cancelamento Waffle.

 

ESTADOS UNIDOS: Half Dollar Kennedy com cancelamento Waffle encapsulado pela NGC.

 


ESTADOS UNIDOS: Dollar Susan B. Anthony com cancelamento Waffle encapsulado pela PCGS

 

 

É o tipo de peça que não deveria sair das Casas da Moeda, e ir direto pra siderúrgica, mas… Sempre algumas escapam, e no mercado numismático dos Estados Unidos, este tipo de peça é encontrado com pouca dificuldade e geralmente comercializado por cerca de US$ 60 para Cents, Nickel, Dime e Quarters, e US$ 120 para Half e Dollar. Para moedas comemorativas em Prata, o valor alcança os US$ 500.

Em outros países:

 


CANADÁ

 

ALEMANHA

 


BÉLGICA

 

E no Brasil?

As Casas da Moeda estrangeiras, especialmente a dos Estados Unidos, explicam com detalhes às Sociedades Numismáticas (e a quem interessar possa), detalhes de como é realizado o procedimento de cancelamento de moedas que serão refundidas na siderúrgica. Já a Casa da Moeda do Brasil ou o Banco Central do Brasil simplesmente tratam QUALQUER aspecto da cunhagem de moedas ou impressão de cédulas com um secretismo absurdo, já que o processo não difere em praticamente nada do adotado em outros países e simplesmente ignoram mensagens enviadas à respeito.

Em alguns textos de decretos-lei, encontrei a frase ''Ao Banco Central do Brasil incumbirá dar cursos aos procedimentos de recolhimento e descaracterização das moedas divisionárias.''.

Além do mais, temos no Regimento Interno do Banco Central, no seu Artigo 67:


São atribuições dos Chefes-Adjuntos do Mecir, nas respectivas áreas de atuação
(…)
II - autorizar:
b) o expurgo do estoque de cédulas e moedas metálicas sem poder liberatório, cujo prazo de resgate tenha se esgotado;
(…)
d) a destruição de cédulas e moedas falsas e a descaracterização das moedas metálicas impróprias para circulação e das sem poder liberatório; (…)


Sabemos que as cédulas são picotadas, pois a própria Casa da Moeda entrega (ou vende?) aos visitantes um saquinho com as mesmas.


No entanto não temos a devida informação de COMO é feita essa descaracterização nas moedas.

Então fica no ar a dúvida: Seria esta punção com a inscrição «NULA» a forma com a qual o Banco Central ou a Casa da Moeda do Brasil anulam as nossas moedas para serem recicladas nas siderúrgicas? Sem uma confirmação OFICIAL de um destes órgãos, ou o testemunho com fotos ou vídeos de algum funcionário da siderúrgica, não teremos como saber com certeza.

Em uma busca na internet, encontramos 1 peça pertencente a numismata de São Paulo, e outras 4 peças à venda, por valores com média de R$ 80 cada. É um valor equiparável, em termos de poder econômico, ao que são vendidas as Waffles Coins americanas.

Um fato estranho é que somente encontramos exemplares deste cancelamento na moeda «25 Centavos 1995» e em nenhuma outra. Não encontramos na peça com data 1994 (que possui tiragem muito maior e mais suscetível a erros de cunhagem), e também não encontramos naquela que foi efetivamente recolhida e desmonetizada, a peça «1 Real 1994», que foi definitivamente retirada de circulação em 2003. Será que algum dia teremos respostas a isto?

As peças examinadas não possuem defeitos de fabricação aparentes. Logo, o motivo para receberem o cancelamento, é o fato das moedas da Primeira Família do Plano Real estarem sendo recolhidas aos poucos, desde que foi lançada a Segunda Família. São 19 anos de recolhimento, portanto.

Vamos tentar agir com cautela, já que pode ser facilmente fabricado fora do ambiente de cunhagem da Casa da Moeda, por alguém com muito tempo livre disponível, maus pensamentos, e um simples torno de oficina. O estilo da punção me parece algo muito amador, muito tosco pra ter sido feito na CMB, embora não precise necessariamente ter alguma qualidade, já que o objetivo é apenas anular as moedas para serem enviadas à reciclagem.

Atualizarei esta postagem quando houverem mais informações.

 

 

Atualização em 20 Março 2017:

Através do «Fale Conosco» do site do Banco Central do Brasil, enviamos em 7 Março 2017 a seguinte solicitação registrada sob o número de Protocolo 2017088752: (clique na imagem para ampliar):

O qual reproduzo o texto:

Boa tarde. Meu nome é Rubens Bulad, sou numismata (colecionador de moedas) e membro da ANS - American Numismatic Society, dos Estados Unidos. De acordo com o Regimento Interno do Banco Central, artigo 67, letra "d":

d) a destruição de cédulas e moedas falsas e a descaracterização das moedas metálicas impróprias para circulação e das sem poder liberatório;

Gostaria de obter a seguinte informação: Sabemos que a descaracterização das cédulas é feita mediante picotagem das mesmas. No entanto, gostaria de saber como é feita a descaracterização das moedas metálicas, e se a imagem que lhes envio em anexo corresponde a este processo de descaracterização.

Agradeço antecipadamente,

Rubens Bulad

(em anexo, as imagens anverso e reverso da peça «25 Centavos 1995 com punção "nula"»

 

Recebemos hoje, 20 Março 2017, via e-mail, a seguinte resposta do Banco Central:


A descaracterização de moedas metálicas é efetuada na Casa da Moeda, por um processo de prensagem que as deforma, tornando-as impróprias para o uso.

Anexa imagem de exemplos de moedas após esse processo.

As imagens enviadas por V. Sa. não correspondem ao processo utilizado pelo Banco Central.

Atenciosamente,

Banco Central do Brasil

 

Em anexo, em um arquivo .pdf, contendo nenhum texto, e 2 imagens das nossas «Waffle Coins»:

 

Isto resolve toda a questão.

Em primeiro lugar: A peça «25 Centavos 1995 NULA» possui essa punção aplicada por particulares. Não sabemos com qual intuito, se para algum uso, tal como algum tipo de ficha, ou para enganar colecionadores. Mas, com esta resposta do Banco Central, temos a certeza: Não é coisa oficial, e não possui absolutamente NENHUM valor numismático, tratando-se tão somente de MERO VANDALISMO, portanto. 

Em segundo lugar: Agora sabemos que também temos as nossas «Waffle Coins» e pela primeira vez temos imagens das mesmas.

É assim que se faz numismática!

07 março 2017

Minha opinião sobre a monografia «Carimbo de Escudete»

Vou tentar ser breve:

Possui Preâmbulo e Introdução muito bons, que, apesar de não ser exatamente referente ao tema da obra (Carimbo de Escudete), é necessária pra se entender o contexto de seu surgimento. Há uma explicação muito bem redigida e de fácil entendimento sobre o que vem a ser o tal «Carimbo de Escudete», pra quê finalidade serviu sua aplicação, e suas variantes conhecidas e com descrições bastante detalhadas. Há ainda reproduções de opiniões de diversos numismatas de vulto da numismática brasileira,  corrige alguns erros cometidos por estes mesmos numismatas, e há uma pequena lição de Heráldica que, penso eu, é FUNDAMENTAL no estudo da numismática (pois ao sabermos suas representações, nós passamos a enxergar as moedas “com outros olhos”, com suas representações à cores e passamos a observar com mais atenção seus pequenos detalhes).  Por fim, ilustrações de diversas moedas com carimbo de escudete com textos explicativos.

Lendo toda a obra, percebe-se que o autor possui grande clareza de pensamentos e forte instrução à respeito do tema abordado, além de estar acompanhado de um estudo preliminar, como podemos observar na Bibliografia.

Na página 60, o autor diz textualmente: «(…) Não carimbavam as MOEDAS de acordo com seu valor facial. Carimbavam os DISCOS de acordo com o seu peso (…)» e este – ao nosso ver – acertado pensamento é de importância fundamental para se compreender o porquê da aplicação desta contramarca nas moedas coloniais brasileiras de cobre e de prata, e este detalhe era o que faltava para um bom e real entendimento nos textos publicados anteriormente por outros autores, e que acabavam por gerar uma pequena confusão.

Outro ponto que penso ser acertado, é quando se menciona uma moeda qualquer que pertence ao conjunto numismático do monarca “X”, e que, ao ser contramarcada com o Carimbo de Escudete pelo monarca “Y”, a peça passa a fazer parte da coleção numismática deste monarca que mandou aplicar a contramarca. Parece óbvio, já que com o Escudete, o valor facial da moeda foi alterado, e é como se uma nova moeda tivesse sido cunhada. No entanto, outros autores não haviam deixado isto às claras.

Por fim: Obra enriquecedora (no sentido cultural) que não pode faltar na biblioteca do numismata sério, principalmente pra aqueles que desejam buscar mais além do que o mero comércio de peças numismáticas, e que tem o intuito de estudar a fundo sobre o assunto para entender não apenas o porquê da existência dessa contramarca, mas também na busca da compreensão da realidade da própria história do Brasil durante o período colonial.

01 março 2017

Moeda «1 Real Bifacial»

Trata-se de uma moeda de 1 Real com dois anversos, ou seja, sem a imagem da Efígie da República, e com os dois lados mostrando o valor facial de “1 Real”.

Segue abaixo um vídeo em alta resolução dessa peça, de um colecionador do facebook, o qual salvei para meu canal do YouTube:

 

 

Vamos aos fatos:

A moeda de 1 Real com o atual design é fabricada desde 1998, (há 19 anos, portanto), e não há absolutamente NENHUM relato deste tipo de anomalia nos anais numismáticos brasileiros. Surgiu recentemente nas redes sociais - e sempre nas mãos de comerciantes de reputação duvidosa e outros ilustres desconhecidos nos meios numismáticos –, alguns pouquíssimos exemplares, geralmente com data 2008, (a de maior tiragem) e sempre à venda por valores estratosféricos. Infelizmente alguns amigos ficaram encantados e resolveram comprar tal peça.

Essa anomalia jamais me convenceu, porque são diferentes um do outro os encaixes dos cunhos de anverso e reverso na máquina de cunhagem da Casa da Moeda. Isto é feito justamente para que não ocorra que algum funcionário desatento encaixe na máquina dois cunhos de anverso ou dois cunhos de reverso, (e ocorram moedas com 2 lados iguais) e também porque um dos cunhos é móvel (bate as moedas), enquanto o outro é fixo.

Como algumas pessoas também questionaram esse fato, recentemente surgiu, também nas redes sociais, o BOATO de que “conversaram com técnicos da Casa da Moeda” (sem nomes, claro…) e “descobriram” que os encaixes dos cunhos das máquinas de cunhagem eram iguais até ocorrer o erro da moeda «50 Centavos sem o Zero», em 2012, e que, para “prevenir” que ocorra novamente, tornaram os encaixes diferentes, e isto “explicaria” o motivo pelo qual somente são encontradas moedas bifaciais com datas anteriores a 2012, e que somente após isto ocorrer, é que passou a ser “impossível” ocorrer tal erro. É um BOATO sem a menor fundamentação lógica e tampouco técnica (pois requereria a mudança da engenharia das máquinas de cunhagem, fabricação de novos cunhos com desenho diferente, etc), além do fato de que a anomalia “mule” não utiliza dois cunhos de anverso ou dois de reverso, e sim, um de anverso e outro de reverso, apenas trocando a denominação de um dos cunhos. Logo, esse BOATO é ridículo e ao invés de “esclarecer”, gerou ainda mais dúvidas acerca da veracidade deste tipo de peça.

Com fortes suspeitas sobre como poderia ter sido feito fora do ambiente da Casa da Moeda, passamos a silenciosamente investigar as peças que surgem e que são publicadas nas redes sociais.

Com a publicação do vídeo acima em alta resolução, ficou fácil perceber que esta peça é uma MONTAGEM, e de má qualidade. Penso que foi serrado fora o reverso (Efígie da República) da peça, cortado outro anverso (valor facial) de outra moeda, e em seguida colocado no lugar da efígie, utilizando solda. Retirei algumas imagens do vídeo acima, e podemos observar com cautela como pode ter sido feito. Observem a borda da peça:

 

Foto 1: Observar a diferença de cor entre a borda da parte de baixo da moeda, e a borda propriamente dita. São pátinas diferentes. Observar também a mossa na borda que “levantou” a “tampa” de cima da peça. Acredito que esta mossa foi causada atirando a moeda ao chão para desmontar as duas partes – núcleo e anel externo.

 

 

Foto 2: Borda extremamente irregular, não condizente com o padrão de qualidade da Casa da Moeda, além da “tampa” estar um pouquinho deslocada. Isso jamais ocorreria na cunhagem, pois a virola não deixaria a frente da peça extravasar pela borda.

 

 

Foto 3: Diferença de posição entre as “tampas”: a de cima está “deslocada para dentro”, enquanto a de baixo está “deslocada para fora”. Há uma clara divisão entre a tampa de cima e o miolo da peça, e é evidência de que uma das “tampas” não é original desta peça.

 

 

.

Foto 4: A borda é completamente irregular, com uma fissura igualmente irregular, e variando em espessura (que não existe em moedas normais), e que demonstra claramente o corte e a solda.

 

Foto 5: É possível notar um leve desalinhamento das barras paralelas ao se comparar o núcleo com o anel externo, além de uma leve “mossa” – um buraco – entre ambos, acima do numeral “1”, o que evidencia que a peça foi desmontada e remontada novamente. Ampliem no vídeo para ver esse detalhe.

 

Fica a questão: É possível cortar as “tampas” de moedas e depois soldá-las em outra peça?

Há artesãos que fazem peças curiosas com moedas. Seguem exemplos em fotos e vídeos:


Assistindo a este vídeo, percebemos que não só é possível cortar com precisão qualquer parte da moeda que desejar, como o serviço é fácil e muito rápido. Em poucos minutos pode-se montar uma “1 Real Bifacial” bastando para isto serrar fora o reverso (efígie da república) de uma peça, e soldar outro anverso de outra peça no lugar.

CONCLUSÃO FINAL:

Deixo claro, sem a menor sombra de dúvida, e em letras garrafais, o seguinte:

PEÇA RECENTEMENTE FALSIFICADA
PARA ENGANAR O COLECIONADOR.

26 fevereiro 2017

Falsificações Chinesas

Há centenas de milhares de moedas diferentes, desde as primeiras cunhadas na Lídia no século VII a.c. até as atuais, e uma gigantesca parte das mesmas são acessíveis.

Então, porque comprar falsificações?

A pessoa que se dispõe a vender falsificações chinesas (parem de chamar de “réplicas”, pois não o são) além de arriscar a sua reputação, está colaborando com um mercado criminoso. Quanto mais compram essas porcarias, mais os chineses as fabricam, e sempre melhorando os cunhos, até chegar a hora em que teremos sérias dificuldades pra distinguir a falsificação de um original. Isto já ocorre com as moedas «Morgan Dollar» dos Estados Unidos, onde há relatos de moedas perfeitamente cunhadas, feitas em prata maciça, e com slabs igualmente falsos!

Além do mais, qual é a graça de “tapar o buraco” da coleção com uma falsificação barata? Imagine deixar de herança aos filhos a coleção não de moedas boas e até raras, mas de pirataria chinesa sem valor!

Imagina comprar uma peça cara, e de repente descobrir que a mesma é uma falsificação chinesa.

Por diversos motivos, não concordo com a comercialização das mesmas, e nunca vou concordar, e na minha opinião, quem se dispõe a sua comercialização não passa de um vagabundo sem caráter, um mero patife, e merece ser extirpado, tal como um câncer, das sociedades numismáticas. Somente pessoas de reputação duvidosa as vendem, e somente idiotas as compram.

Na imagem: «Morgan Dollar» dos EUA falsificados em uma prensa de cunhagem artesanal, na China. Recomendo ler ESTE ARTIGO.

14 fevereiro 2017

Bibliografia sobre as «Obsidionais Holandesas»

 

 

ESTUDO PRELIMINAR DE ALGUMAS MOEDAS HOLANDESAS DA COLEÇÃO DO MUSEU HISTÓRICO NACIONAL DO RIO DE JANEIRO

http://www.restaurabr.org/arc/arc06pdf/01_RejaneLobo.pdf

Utilizando espectrômetro de fluorescência de Raios-X, pode-se afirmar com exatidão até mesmo de qual mina foi retirada o metal de qualquer peça, devido a existência de microscópicas inclusões de outros metais e minerais. Isso por si só pode aferir a autenticidade de qualquer moeda.

Abaixo uma pequena e com certeza não completa bibliografia sobre as obsidionais holandesas:


- ANGELINI, Cláudio Marcos. Os Holandeses no Brasil e as obsidionais. São Paulo: texto publicado na página da Revista Acervus Cultura e Arte - Belo Horizonte, MG.

- COLIN, Oswaldo. Brasil através da moeda. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1995, 64p.

- CUHAJ, Geoger S. (editor) Standard Catalog of World Paper Money, Specialized Issues, Volume One. East State Street – Iola: Kp Books, USA, 2005.

- FERREIRA, Lupércio Gonçalves. As primeiras Moedas do Brasil. Recife: Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, 1987.

- GONÇALVES, Cleber Baptista. Casa da Moeda do Brasil, 290 anos de história, 1694-1984. Rio de Janeiro: Casa da Moedas do Brasil, 1985.

- GONÇALVES, Cleber Baptista. Casa da Moeda do Brasil. Rio de Janeiro: Casa da Moeda do Brasil, 2 edição, 1989, 937p.

- GONSALVES DE MELLO, José Antônio. Os Ducados Brasileiros de 1645 e 1646 e as moedas obsidionais cunhadas no Recife em 1654. Recife: Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, V.48, p.185-227.

- HERKENHOFF, Paulo (organizador). O Brasil e os Holandeses 1630-1654. Rio de Janeiro: GMT Editores Ltda. 1999.

- LISSA, Violo Idolo. Catálogo do Papel-Moeda do Brasil 1771-1986. Emissões oficiais, bancárias e regionais, Brasília: Ed. Gráfica Brasiliana, 3 edição, 1987.

- MAILLET, Prosper. Catalogue descriptif des Monnaies Obsidionaleset de Nécessité. Bruxelles : 1870.

- MAGALHÃES, Augusto F.R. de. Os Bancos Centrais e sua função Reguladora da Moeda e do Crédito. Rio de Janeiro: A Casa do Livro. 1971, 487p.

- NETSCHER, P.M. Les Hollandais au Brésil, notice historique sur les Pays-Bas et le Brésil au XVII siècle.Le Haye (Den Haag): Belinfante Frères, 1853.

- PROBER, Kurt. Catálogo de Moedas Brasileiras. Rio de Janeiro: 1ª edição, 1960.

- PROBER, Kurt. “Obsidionais” As primeiras Moedas do Brasil. Rio de Janeiro: Paquetá, Monografias Numismáticas – XIII, 1987.

- RIZZINI, Carlos. O Livro, o Jornal e a Tipografia no Brasil, 1500-1822, com breve estudo geral sobre a informação. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, Ed. fac-similar, 1988.

- SANDRONI, Paulo. (organização e supervisão) Novíssimo Dicionário de Economia. Editora Best Seller, 1999.

- SANTOS LEITÃO. Catálago de moedas brasileiras, de 1943 a 1965. Rio de Janeiro: Santos Leitão & Cia. Ltda, 10 edição, 1965, 205p.

- SHOROEDER, Cláudio. O Ducado Brasileiro (1645-1646), Boletim da SNB, Ed. 51.

- TRIGUEIROS, F. dos Santos. Dinheiro no Brasil. Rio de Janeiro: Léo Cristiano Editorial, 2ª edição, 1987.

- VAN DER WEE, H. (org.). La Banque en Occident. Genève: Union Bancaire Privée, Fonds Mercator Anvers, 1994.

- VAN LOON, Gerard. Histoire métalliquedes XVII Provinces des Pays-Bas, depuis l´abdication de Charles Quint jusqu`a la paix de Bade en MDCCXVI. La Haya (Den Haag): 1732-1737, 5V.

- VARNHAGEN, Francisco Adolpho de. História da Lutas com os Hollandezes no Brazil desde 1624 A 1654.Viena: 1871.

- WÄTJEN, Hermann. O domínio colonial holandês no Brasil: Um capítulo da história colonial do século XVII. Recife: Cia. Ed. de Pernambuco, 2004, p.291-343.


E isso é só o começo...